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A Sustentabilidade Digital

Tese

A transformação digital tem causado inúmeros problemas sociais. Pela falta de regulamentação das mídias sociais, vivemos um acirramento na produção de desinformação e discursos de ódio contra minorias. Ao mesmo tempo, aplicadas no desenvolvimento de novos modelos de negócios, as tecnologias da informação, particularmente devido à sua função otimizadora, desprezam os ganhos trabalhistas do último século e fomentam a precarização do trabalho. Lutar pela sustentabilidade digital, assim, é assumir uma luta que, transversalmente, afeta todos os pilares de sustentabilidade da Rede. Algoritmos enviesados, como o do Facebook, numa "ingênua" tentativa de coibir o discurso de ódio, começam a perseguir grupos LGBTQIPN+ (ver artigo 2 anexo: "O Pão Que O Viado Amassou"). O treinamento de grandes modelos de linguagem, da Inteligência Artificial, poluem mais do que viagens de avião. A invasão da privacidade, a coleta de dados diversos e a manipulação de algoritmos de sistemas de recomendação, causam inúmeros desvios éticos, principalmente com fins políticos e econômicos. A desinformação e o diversionismo, fomentados pelas redes, ameaçam o cânone cultural e estético, sem falar nos riscos causados pelos negacionistas. Não bastassem combater, sem nenhuma metodologia cientifica, o aquecimento global e as vacinas, também buscam depreciar inúmeros progressos sociais: jogam sombras sobre a questão de gênero, perseguem a diversidade e invadem corpos vulneráveis. A criação de leis de proteção de dados foi só a ponta do Iceberg, agora precisamos legislar sobre a produção e a utilização de dados. Se o Big Data se tornou o novo petróleo, a utilização desse combustível tem que ser tutelada em nome da preservação da humanidade.

É fundamental que a Rede, dado seu histórico progressista e sustentabilista, assuma a liderança junto a temas como Transformação Digital e Humanismo Digital. No horizonte, principalmente após o 8 de janeiro, grandes lutas a favor da regulação das redes sociais digitais já estão se afigurando. Muitas são as leis gerais de proteção de dados, entretanto, grande parte delas protege apenas populações privilegiadas do Norte Global, deixando os países da periferia do capitalismo à mercê de ações verdadeiramente predatórias. Em vias de se tornar a quarta economia mundial, passando a Alemanha e ficando atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão, a Califórnia é a região que mais se beneficia de Big Data. Ao mesmo tempo, ela possui legislação que protege apenas seus cidadãos. A soberania digital precisa ser discutida cada vez mais, se quisermos proteger nosso povo, o Brasil e a Democracia. Novos modelos de economias decentralizadas, propostas por tecnologias como blockchain, criptomoedas e tokens não fungíveis (NFTs) também exigem um posicionamento cada vez mais sustentabilista se quisermos falar em justiça social. A inovação e o empreendedorismo precisam ser pensados também dentro de uma lógica que busque combater injustiças e levar qualidade de vida para toda a sociedade. Por essas e outras, falar sobre Sustentabilidade Digital é assumir a liderança em um mundo cada vez mais conectado e em rede.

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